quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

recur$o$

ah, esse é um assunto que me dá raiva!

Seguinte: reclamam que Brasil tem muitas poucas patentes comparados com demais países, mas então cadê os incentivos para que as pessoas inventem mais? Inventres volta e meia costumavam aparecer nos programas de Tv, mas mais como pessoas excêntricas, me lembro de um programa de auditório que chegou a dizer após uma demonstração (a apresentadora olhou para o público e disse): "o que leva uma pessoa a fazer isso?", como se a inventora tivesse alguma doença mental! Trágico!

Mas como eu ia dizendo, estou tentando enxergar as cosias de outro modo, ao invés de achar que as coisas não valem a pena, vou em frente.

Ora, se nesse mundo louco já aconteceu coisas como "Mendigo aceita aulas de programação em vez de esmola e cria aplicativo", então ainda muita coisa pode acontecer!

Então vamos lá: do que um inventor precisa. Alguns vão dizer "nada", mas é de se lembrar que uma das coisas desanimadoras quando a invenção fica pronta é o preço para registrar (desse site é apenas referência para preço). (Talvez um dia eu conte o tratamento que recebi de um desses escritórios...)

Bom, para isso tô pesquisando alternativas como Model Patent Licence da Creative Commons, Open Patents e Patent Commons. Mas também deixemos para outro dia a análise delas.

O registro acontece depois que a invenção fica pronta, mas até lá fica a cargo do próprio inventor os custos para desenvolvê-la, o que depende muito do que estiver sendo desenvolvido, que materiais usa, etc.

E é claro que no meio disso tem aqueles sentimentos de que pode não dar em nada e as pessoas não apoiarem e tal. Por exemplo da notícia de que um acreano criou uma moto que usa água como combustível, se lê que o inventor Delande Holanda passou até por ameaça de separação da mulher:

Durante quase um ano o inventor trabalhou para montar seu protótipo, o que ainda quase lhe custou alguns amigos e o casamento. “Fui tratado como doido, disseram para que eu parasse com isso. E houve até uma ameaça de separação, porque é meio difícil acreditar nisso”, conta.
Bem que um dos escritórios de patente orientava que não se pode gastar tudo para desenvolver a invenção, sob risco de gastar demasiadas energias da vida para outras coisas (se bem que aquele escritório acho que queria mais é que guardasse apenas a sobra para o registro, mas deixa essa história para lá. OBS: em todo caso, não me refiro ao escritório do link, o do link, como indiquei é apenas para referência de preços).

Bom, mas vou relevar até os custos de desenvolvimento pois a inquietação da minha cabeça é a seguinte: tô achando que tem o custo de divulgação. Tem escritórios que prometem além do registro, divulgação, mas eu tenho lá minhas desconfianças. Por outro lado, se você adota um modelo livre (como os dos softwares livres), fica evidente que sem cnseguir usuários e colaboradores, o projeto não irá para frente, e é disso que falo: o custo para divulgar.

Ah, mas e o mendigo do link lá em cima? Bom, o cara, devido às circunstâncias já ganhou destaque, não é que alguém gostaria de estar no lugar dele, mas é bom atentar à esse detalhe.

Provavelmente não foi ele quem bancou a gravação - e muito menos a preparação do cenário - desse vídeo:
Então, se você não é um caso que chamou a atenção, como fica?

Bom, uma matéria bem legal do Ciência Hoje sobre crowdfunding para pesquisas científicas diz:

No crowdfunding, o poder de decisão está mesmo nas mãos e no bolso no público. Por isso, a comunicação faz toda a diferença para cativar os mecenas virtuais (...) Os brindes muitas vezes são um atrativo, mas os projetos que conseguem mais atenção – e chegam a arrecadar até mais dinheiro que o pedido inicialmente – são aqueles que melhor explicam sua proposta, frequentemente com o uso de vídeos. (...)
Esse é o caso de um projeto do Brasil. O estudante de biologia da Universidade de São Paulo (USP) Otto Hering foi o primeiro brasileiro a participar do crowdfunding de ciência ao pedir fundos para ele e seus colegas se inscreverem neste ano na competição internacional de biologia iGEM (International Genetically Engineered Machine), que ocorre no Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), nos Estados Unidos (...)
“O legal do crowdfunding é a possibilidade de encontrar vários mecenas virtuais que te ajudam por gostar do seu projeto, diferente de uma ‘vaquinha’ entre amigos, que só te ajudam por gostar de você”, comenta Hering.
O estudante também ressalta que o maior desafio – e o elemento decisivo para o sucesso do empreendimento – foi falar sobre ciência de maneira compreensível a todos.
“Um dos grandes problemas da divulgação científica é a adequação da linguagem, escolher as palavras e analogias certas para explicar assuntos densos sem perder a precisão”, diz. “Quando se trata de crowdfunding, é preciso ir um pouco além, afinal, para fazer uma pessoa tirar dinheiro do próprio bolso para apoiar sua iniciativa é preciso conquistá-la – o que não é nada trivial no caso de assuntos científicos.”
Um dos fundadores do SciFund, Jarrett Byrnes, pós-doutorando no Centro Nacional de Análises Ecológicas, nos Estados Unidos, acredita que o estímulo à divulgação científica é um dos maiores méritos desse tipo de iniciativa. “Normalmente o trabalho de divulgação é uma atividade extracurricular e não paga”, diz. “O crowdfunding é um incentivo, faz com que a divulgação seja parte importante e natural da carreira científica e envolve mais pessoas com a ciência.”
O video bem humorado de que eles falam é esse:


Daí que um dos custos é ter uma câmera e criatividade par ter um bom roteiro.

O que? Ouvi alguém aí dizer que ter câmera é tão básico que nem conta como gasto? Assim como internet? Bem meus amigos, infelizmente tô numa situação que minha câmera foi roubada e estou em processo de mudar de casa, e não tenho certeza se terei bom acesso à internet. Sim, minha situação não é a do mendigo, mas não tô podendo contar câmera/internet como "nada" não!

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OBS: "é serio mesmo o caso do cara que estou até a 5° série e inventou uma moto movida à água?"
Olha, eu mesmo não sei, mas tá lá no site né. Sei lá, essas coisas envolvendo combustível como água envolvem histórias com ar de lendas urbanas, tal como esse do projeto Chambrim (em que Brasil estaria desenvolvendo secretamente essa tecnologia durante a ditadura!). Só linkei o que encontrei, por mim parece crível pois atualmente veículos à hidrogênio existem e são comercializados, facilitando as pessoas entenderem o funcionamento.

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